Profissionais com doutorado podem atestar métodos defendidos

Doutor é um pronome de tratamento muito utilizado no Brasil, cujo fundamento acadêmico não é exigido. Médicos, dentistas, advogados, profissionais liberais ou pessoas com altos níveis sociais são chamados de doutores. Para a especialista em educação Sandra Raphael, ex-diretora de novos negócios na Universidade Nova de Lisboa em Portugal, isso parece certa "banalização" que atribui o Doutor como pronome de tratamento e não como título acadêmico, conferido a partir de requisitos legais muito bem definidos, em instituições de ensino reconhecidas e credenciadas.

O título de Doutor, adquirido quando se forma em doutorado ou PhD, que são similares e de natureza acadêmica, é conferido ao pesquisador que é apto a desenvolver um trabalho inédito, não apenas no tema, mas também na abordagem efetuada, conceito ou método. O trabalho é examinado por uma banca composta por no mínimo três pessoas portadoras do mesmo título acadêmico. Os títulos universitários são utilizados em instituições de ensino, pesquisa ou extensão universitária, assim como validada a sua credibilidade mediante a sociedade como um todo. 

“As opiniões emitidas por acadêmicos geralmente são consideradas válidas nas áreas em que possuem o reconhecimento. Nada os impede, entretanto, de desenvolvê-las sobre outras áreas, que não a do título acadêmico. Assim, o doutor, quando tem um tema para o qual as evidências se comprovam, essa pessoa pode, sim, validar sobre o tema. Assinar em baixo como se costuma dizer. Contudo, em se tratando de um tema cuja credenciação acadêmica não lhe foi devidamente outorgada, esse mesmo Doutor não poderá atestar a veracidade do que lhe foi apresentado”, explicou.

Sandra defende que o título acadêmico de Doutor é atribuído a quem se torna ‘Doutor em alguma coisa’, quando se forma em doutorado ou PhD como é no exterior, e não existe uma outra titulação acadêmica de forma genérica.

Quando se refere a publicações acadêmicas, principalmente em revistas de alto prestígio, Sandra explica que os textos devem sempre ser submetidos à análise de pesquisadores previamente credenciados. Nesse caso, a consultora explica que existe o princípio duplo cego.

“O princípio duplo cego consiste nos examinadores do texto, que sempre são dois doutores. Não saberem quem é o autor, ao menos até que haja a aprovação é uma exigência para ambos examinadores e às vezes pelo próprio Conselho Editorial do trabalho apresentado. Como dito anteriormente, podendo ser necessário passar pela banca composta por três doutores da mesma área”, esclareceu Sandra.

Ainda segundo a especialista, no caso de títulos em Ciências Humanas e Sociais, quando se trata de uma opinião polêmica, às vezes é aceita, a fim de provocar debates. Já em Ciências Biológicas ou Exatas, em razão da própria natureza das áreas, os critérios tendem a ser mais rígidos, devendo representar, a experimentação do que é sugerido, ou seja, o estudo de caso.

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