Editorial Editorial

Brasil X Nova Zelândia Exemplos opostos

“As palavras comovem, os exemplos arrastam”. Não se trata de uma frase cheirando a naftalina. Trata-se, como se dizia nos tempos do Leite de Rosas, de “uma verdade cristalina” – em especial na educação, onde cada gesto dos pais, líderes, influenciadores e educadores é um espelho para não só os jovens, mas para todos nós.

Três exemplos, um positivo e dois negativos servem para nossa análise. O positivo vem da Nova Zelândia, onde em discurso emocionado no Parlamento, a primeira-ministra do país, Jacinda Ardern, anunciou que nunca dirá o nome do atirador que matou 50 pessoas em duas mesquitas na cidade de Christchurch. "Ele buscou muitas coisas em seu ato de terror, entre delas a notoriedade - é por isso que você nunca me ouvirá mencionar seu nome", disse. Segundo a rede americana CNN, a estratégia tem surtido efeito: é o rosto dela, e não o do atirador, que tem dominado a cobertura da mídia.

Infelizmente os dois negativos vem do Brasil. No primeiro a Polícia Civil de Goiás apreendeu nesta segunda-feira, 18, um adolescente de 17 anos que supostamente estaria planejando um ataque a uma escola em Pontalina, interior do Estado. Segundo o órgão, o garoto teria confessado o plano, que ainda não teria sido executado porque ele não havia tido acesso a uma arma de fogo de repetição. Na sua casa, foi apreendida uma arma de fogo e munições que pertenciam ao pai do suspeito, que também foi autuado.

Segundo a polícia, ao ser interrogado o jovem citou dois ataques recentes: a morte de cinco estudantes e dois funcionários na escola Raul Brasil, em Suzano, praticada por dois ex-alunos em 13 de março; e o massacre de 50 pessoas em duas mesquitas da Nova Zelândia, realizado por um supremacista branco na sexta-feira.

O terceiro vem do nosso Presidente Jair Bolsonaro que defende o uso a violência e de armas pela população, tendo na campanha prometido aos seus eleitores diminuir as exigências para liberar a aquisição de armamento da população. Paralelo a isso no caso da escola de Suzano o Senador do PSL Major Olimpio declarou que o massacre teria sido evitado de professores e funcionários estivessem com armas para deter os jovens autores.

No Brasil quando acontecem esses massacres nas escolas se fala em armar a população, já na Nova Zelândia a primeira-ministra afirmou que pretende reformar a lei sobre armas no país e deu um prazo: ela disse que o governo iria propor tais alterações em dez dias e no dia 21 publicou a proibição da venda de armas semiautomáticas de estilo militar e de fuzis no país. Além disso muitos dos cidadãos neozelandeses que são donos de armas estão entregando, de forma voluntária, seus armamentos às autoridades da Nova Zelândia, nesta semana, após o ataque a tiros que deixou 50 mortos e 50 feridos, em duas mesquitas da cidade de Christchurch.