Editorial Editorial

Lições da Inglaterra e dos EUA

 

Dois anos depois que o plebiscito do Brexit e a eleição de Donald Trump pegaram o mundo de surpresa, Reino Unido e Estados Unidos encaram o momento decisivo de ambos os projetos nacional-populistas.

No Reino Unido, a premiê Theresa May teve rejeitado o acordo firmado para a saída da União Europeia (UE) no Parlamento. A proposta é criticada por trabalhistas, norte-irlandeses da coalizão governista e pelos adeptos de um Brexit sem tantas concessões à UE. Após a derrota Theresa May escapou por pouco de um voto de desconfiança no Parlamento.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump enfrenta resistência do Congresso, que se recusa a destinar os US$ 5,7 bilhões que ele exige para erguer um muro na fronteira com o México. O impasse resultou na maior paralisia de serviços federais na história americana, que já dura 24 dias. Em resposta, Trump pretende decretar uma emergência nacional para desviar recursos militares para o muro.

Em ambos os países, a tentativa de proclamar a soberania nacional diante de desafios externos esbarra na realidade complexa e multifacetada da política, da economia.

A globalização não é obra espontânea de grupos comerciais ou países, mas resulta da negociação minuciosa de interesses econômicos cuja essência é política, travada no âmbito de acordos bilaterais ou das instituições internacionais “globalistas”, como UE ou OMC, aquelas mesmas que os nacional-populistas insistem em desafiar. O resultado fica evidente no caso do Brexit. Em vez de soberania revigorada, o que os britânicos já colhem é isolamento e enfraquecimento nacional.

Se os novos governantes do Brasil forem inteligentes, voltando atrás de várias promessas de campanha como de sair do Mercosul, do Acordo de Paris, de se alinhar somente com os EUA, de privilegiar Israel em detrimento dos países árabes.

Sem esquecer os problemas internos como cumprir uma das principais promessas de zerar o déficit fiscal brasileiro e auxiliar os estados como o de SC que fechou 2018 com um déficit de R$ 500 milhões e projeta para 2019 outro déficit de R$ 2 bilhões.

Há dois anos atrás, havia três estados em situação calamitosa e violação flagrante da norma estabelecida na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), reiterada pelo Programa de Ajuste Fiscal, que determina um limite de 60% das despesas correntes para gastos com pessoal: Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.

Atualmente são catorze: Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Sergipe, Acre, Paraíba, Roraima, Paraná, Bahia, Santa Catarina e Alagoas.

Se Bolsonaro seguir Trump e May vai entrar na mesma sinuca de bico em que eles estão.