Editorial Editorial

Segunda Chamada: professores relatam dramas reais retratados em série

"É o que ocorre no nosso cotidiano". A frase da professora Ana Maria Silva, que leciona português para adultos em uma escola no Jardim São Luís, em São Paulo, resume o sentimento de muitos professores do EJA (Educação para Jovens e Adultos) sobre Segunda Chamada, série exibida às terças na Globo. Seu colega, o professor de história Severino Honorato, faz coro: "Toda vez que vejo a Débora Bloch, me vejo. Me dedicando, sofrendo com os alunos". Na história, Lúcia é uma das educadoras da fictícia Escola Estadual Carolina Maria de Jesus, um colégio público em uma comunidade paulistana, onde jovens e adultos que não conseguiram estudar buscam uma nova oportunidade. No dia a dia, eles enfrentam as dificuldades do sistema público, e os dramas vividos pelos alunos.

Na periferia da vida real, as histórias se misturam. "A realidade da EJA é exatamente como a série retrata. Os alunos chegam cansados, vêm do serviço direto para a escola, às vezes, sem comer", afirma Ana Maria, que vê retratado no seriado de Carla Faour e Júlia Spadaccini muito do dia a dia nas salas de aula.

Ficção e realidade se confundem entre a vida real e a série da Globo, conforme dados paresentados pelo Senador Dário Berger na Comissão de Educação, dois em cada três professores brasileiros já pediram afastamento por motivo de saúde. A informação foi apresentada na Comissão de Educação pelo presidente do colegiado, o senador Dário Berger (MDB-SC). A pesquisa, feita pela Associação Nova Escola, revela quais são os maiores problemas.

"Cerca de 66% dos professores brasileiros já precisaram pedir afastamento de sala de aula por problemas de saúde, sendo estresse, dores de cabeça, insônia, dores nos membros e depressão os maiores problemas.”

Outra pesquisa do Instituto Península, que desenvolve projetos para a melhoria da educação no País. Com o nome de “Retratos da carreira de docente”, foi realizada com uma mostra de 1.812 professores de escolas públicas e privadas. Além das causas de insatisfação, revela que o relacionamento com os pais é visto como pior do que com os alunos, com a direção da escola e com outros docentes. É assustador que 65% concordem que a formação dos professores no Brasil não dá conta da complexidade da carreira dentro e fora das aulas.

A pesquisa procura responde a seguinte pergunta: O que mais incomoda os professores no Brasil: os baixos salários ou o desrespeito dos alunos? Quase empata, mas a desvalorização, a perda de autoridade, a violência e a falta de respeito em sala de aula são considerados problemas mais graves do que o da remuneração.

Não há dúvida, os professores gostam da profissão: 77% estão satisfeitos com a escolha e 57% não pretendem mudar de carreira. E eles procuram se aprimorar, apesar das dificuldades: 56% têm pós-graduação e 50% estão atualmente fazendo cursos de aperfeiçoamento. Nada mais nada menos do que 74% apontam que o aspecto mais positivo da profissão é a possibilidade de construir uma sociedade melhor e acreditam ter energia para correr atrás da missão.