Editorial Editorial

Que futuro terão nossos jovens?

 

A baixa qualidade da educação brasileira veio novamente a tona com a divulgação dos dados do Ideb 2017 (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), divulgados pelo Ministério da Educação dia 03/09, revelam que o ensino médio continua apresentando o pior desempenho da educação de brasileira. Segundo o Ideb, nenhuma das 27 unidades federativas do Brasil (os 26 estados e o Distrito Federal) cumpriu as metas estabelecidas para o ensino médio. Em cinco estados (Amazonas, Roraima, Amapá, Bahia e Rio de Janeiro), o Ideb 2017 foi ainda pior, ficando abaixo do índice da pesquisa anterior, de 2015. O Ideb do ensino médio geral do Brasil foi de 3,8, abaixo da meta, fixada em 4,7. O Ideb do ensino médio dos últimos três estudos (2011, 2013 e 2015) tinha estacionado em 3,7. Para 2019, a meta é de 5,0; e para 2021, de 5,2. Divulgado a cada dois anos (o primeiro foi relativo a 2005), o Ideb traz uma radiografia do nível de qualidade dos ensinos fundamental 1 (1º ao 5º ano, anos iniciais) e 2 (6º ao 9º ano, anos finais) e médio (3º ano) e estabelece metas. Baseia-se no desempenho de alunos das redes privada e pública das 27 unidades federativas em provas oficiais e padronizadas de português e matemática (que compõem o Saeb, Sistema de Avaliação da Educação Básica) e no rendimento escolar (taxa de aprovação, ou seja, o porcentual de estudantes que passaram de ano, fornecido pelas escolas e constante do Censo Escolar).

A consequência da baixa qualidade é a evasão escolar com mostra estudo da OCDE que mostra que o Brasil é um dos países com o maior número de pessoas sem diploma do ensino médio: mais da metade dos adultos (52%) com idade entre 25 e 64 anos não atingiram esse nível de formação, segundo o estudo Um Olhar sobre a Educação, divulgado nesta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A organização também ressalta o número relativamente baixo de alunos com mais de 14 anos de idade inscritos em instituições de ensino no Brasil. Apenas 69% daqueles entre 15 e 19 anos e somente 29% dos jovens de 20 a 24 anos estão matriculados, de acordo com a OCDE. A média nos países da organização é, respectivamente, de 85% e 42%. No Brasil, 17% dos jovens adultos com idade entre 24 e 34 anos atingem o ensino superior. Em 2007, o índice era de 10%. Apesar da melhora, o desempenho ainda está cerca de 27 pontos percentuais abaixo da média da OCDE.

Segundo a OCDE, apesar do Brasil investir uma fatia importante de seu PIB na Educação, os gastos por aluno, sobretudo no ensino básico, são baixos.

O Brasil destina cerca de 5% do PIB à rubrica (dados de 2015), acima da média de 4,5% do PIB dos países da OCDE, diz o relatório. O governo brasileiro gasta, porém, cerca de US$ 3,8 mil por estudante no ensino fundamental e médio, menos da metade dos países da OCDE.

A despesa com os estudantes de instituições públicas, no entanto, é quatro vezes maior, US$ 14, 3 mil, pouco abaixo da média da OCDE, que é de US$ 15,7 mil. O grande problema do ensino médio é que no ensino médio está ligado ao fato de que nossos jovens não verem relação entre o que têm de aprender na escola e suas reflexões sobre a vida e o futuro. Essa clara ausência de conexão entre a realidade e as expectativas de futuro desses alunos e o modelo e o currículo do ensino médio têm origem no próprio modelo dessa etapa, que se tornou mera extensão do ensino fundamental – como se essa faixa etária não tivesse especificidades ou os jovens fossem ainda crianças com baixa autonomia, sem voz e sem um projeto de vida.

Sem educação que de uma qualificação mínima para a vida, nossos jovens são presas fáceis para o crime como estamos vendo. Com a palavra nossos políticos, que deveriam estar discutindo como fazer para melhorar a educação e não tirando as verbas, com tem sido feito para garantir as suas emendas, para trocar por votos com os municípios.