Editorial Editorial

Lula, Temer e Peri

Lula, Temer e Peri  tornaram-se três personagens inéditos, do tipo "nunca antes na história desse país". Um virou o primeiro ex-presidente a receber sentença de corrupto. Outro está pendurado nas manchetes como o primeiro presidente denunciado por corrupção no cargo. O terceiro é o primeiro Vereador cassado pela compra de votos. Os três têm algo mais em comum: não conseguem enxergar vilões no espelho.

Em nota oficial, o PT escreveu que a condenação de Lula a 9 anos e 6 meses de cadeia representa um "ataque à democracia". Em discurso, Temer insinuou que a denúncia contra ele é "uma injustiça que se faz com o Brasil" Nessas versões, Sergio Moro atenta contra o regime democrático. E Rodrigo Janot faz mal ao país. O Vereador Peri nega que estivesse comprando votos e que caiu numa armadilha armada para denegrir a sua imagem.

Assim como as duas centenas de condenados, denunciados, investigados e delatados por corrupção, Lula, Temer e Peri são boas pessoas. Estão preocupados com a democracia, com o Brasil e com Sombrio. Resta ao brasileiro lamentar a ausência de um vilão em cena, desses cuja maldade está na cara, sem disfarces.

Houve um tempo em que os crimes de colarinho branco não acabavam em castigo.

A condenação de Lula pelo juiz Sérgio Moro e do Vereador Peri de Sombrio é um marco do Brasil pós-Lava Jato.

As palavras do Juiz Sérgio Moro de que ninguém está acima da Lei nem mesmo os poderosos, cai como um bálsamo na alma do povo brasileiro, que está cansado de ver os poderosos se beneficiarem das palavras do Ex-presidente Getúlio Vargas "para os amigos os favores da lei, para os inimigos os rigores da Lei".

Prevalece, enfim, o ditado "não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você" (uma adaptação livre de "be you never so high the law is above you").